BC Protege+ estreia em dezembro: veja como o Banco Central vai combater contas fraudulentas

O Banco Central prepara uma das iniciativas mais relevantes dos últimos anos no combate às fraudes financeiras no Brasil. O lançamento do BC Protege+ marca um novo capítulo na proteção de dados dos usuários do sistema bancário, oferecendo uma camada adicional de controle contra golpes que utilizam identidades roubadas para abertura de contas e movimentações ilícitas.
A medida surge em um cenário de expansão das tentativas de fraude digital e reforça a estratégia do BC de fortalecer o ambiente financeiro brasileiro, que já conta com ferramentas como o Mecanismo Especial de Devolução do Pix. Com o novo serviço, o cidadão passa a ter maior autonomia para barrar o uso indevido de seus dados pessoais.
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O que é o BC Protege+ e por que o serviço foi criado
O BC Protege+ é um serviço gratuito que possibilita ao cidadão impedir que novas contas bancárias sejam abertas em seu nome sem autorização. A ferramenta funciona como uma barreira voluntária, ativada diretamente na área logada do Banco Central, e comunicada automaticamente a todas as instituições financeiras do país.
A criação do serviço responde ao crescimento expressivo de tentativas de golpes envolvendo abertura de contas utilizando documentos falsos ou dados vazados. Em 2024, mais de 5 milhões de tentativas foram registradas no país, gerando prejuízos bilionários e pressionando o setor por soluções centralizadas de segurança.
Ao unificar o controle em um único mecanismo nacional, o BC facilita o monitoramento, reduz brechas e fortalece o papel do usuário na proteção de sua própria identidade.
Como funciona o mecanismo de bloqueio do Banco Central
A operação do BC Protege+ é simples e baseada em integração direta com a base centralizada de dados do Banco Central. Ao ativar a proteção, o usuário informa ao sistema que não deseja autorizar a abertura de contas correntes, contas de poupança ou contas de pagamento pré-pagas até que decida revogar a restrição.
As instituições financeiras, ao receberem a tentativa de abertura, consultam automaticamente o banco de dados do BC. Caso o cidadão esteja com a restrição ativa, o processo é bloqueado de forma imediata. O sistema exige verificação adicional ou impede completamente a continuidade da operação, dependendo das políticas internas de cada banco.
Essa proteção ocorre em tempo real, garantindo resposta rápida e reduzindo a vulnerabilidade a golpes que costumam agir de forma veloz e coordenada.
Crescimento das fraudes e desafios no sistema financeiro
Dados preocupantes impulsionaram a decisão do Banco Central
Nos últimos dois anos, o país registrou aumentos consecutivos nas tentativas de roubo de identidade, que cresceram 30% no período. As abordagens variam desde o uso de documentos falsos até o aproveitamento de informações obtidas em vazamentos de bases públicas e privadas.
O Banco Central monitora, anualmente, milhares de relatórios enviados por bancos, fintechs e demais instituições reguladas. Em 2025, cerca de 40% de todos os incidentes registrados envolveram fraudes digitais, reforçando a necessidade de intervenções estruturais.
As perdas financeiras acumuladas ultrapassam R$ 7 bilhões, segundo estimativas do setor. Embora bancos tenham desenvolvido mecanismos próprios de proteção, a ausência de um sistema unificado nacional dificultava a consistência do monitoramento.
Como o BC Protege+ se diferencia das medidas já existentes
Instituições financeiras já adotam protocolos de verificação, biometria e cruzamento de dados, mas cada uma possui suas próprias bases e sistemas internos. Essa fragmentação faz com que golpistas tentem a abertura em múltiplas instituições até encontrar brechas.
O BC Protege+ rompe essa lógica ao centralizar a consulta obrigatória em um único cadastro nacional. Assim, quando um cidadão ativa a proteção, nenhum banco pode abrir conta sem realizar verificicações adicionais. Isso reduz o risco de inconsistências entre plataformas e aumenta a efetividade do bloqueio.
Além disso, o sistema é reversível a qualquer momento, garantindo autonomia total ao usuário, que passa a decidir quando deseja flexibilizar a restrição.
Como ativar o BC Protege+: passo a passo detalhado
Acesso pela área logada do Banco Central
A ativação ocorre por meio da plataforma Registrato, disponível no site e no aplicativo oficial do Banco Central. O processo utiliza autenticação Gov.br, garantindo segurança e padronização no acesso.
Passo 1 – Entrar no site ou aplicativo do Banco Central
O usuário deve acessar a área logada utilizando sua conta Gov.br, que pode exigir biometria facial, senha ou certificado digital.
Passo 2 – Acessar a seção de proteção
No menu de serviços, há uma área destinada a configurações de segurança. Nela, o cidadão encontra a opção correspondente ao BC Protege+.
Passo 3 – Ativar a proteção
Após ler e aceitar os termos, basta confirmar a ativação. O processo leva menos de cinco minutos e não exige upload de documentos adicionais.
Passo 4 – Receber a confirmação
O BC envia uma notificação por e-mail e registra o status na página pessoal do usuário. A verificação pode ser consultada a qualquer momento.
Como desativar o bloqueio
Se o cidadão desejar abrir uma nova conta ou ser incluído em conta de terceiros, basta acessar novamente o sistema e fazer o cancelamento. A desativação também é instantânea e comunicada automaticamente às instituições.
Essa flexibilidade permite que a ferramenta seja usada de forma estratégica, especialmente por pessoas que não pretendem abrir contas com frequência.
Evento oficial de lançamento
Detalhes do anúncio em Brasília
O lançamento oficial ocorrerá em 1º de dezembro de 2025, às 14h30, na sede do Banco Central, em Brasília. A apresentação contará com a presença de autoridades da área de Cidadania e Supervisão de Conduta.
Participarão da cerimônia:
- Izabela Correa, diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta
- Carlos Eduardo Gomes, chefe do Departamento de Atendimento Institucional
Durante o evento, haverá demonstrações práticas do funcionamento da ferramenta, além de palestras dedicadas à prevenção de golpes e à integração do serviço com o Registrato.
A transmissão será feita online e aberta ao público, ampliando o alcance das orientações sobre segurança financeira.
Integração com outras medidas de segurança do Banco Central
Encerramento de contas irregulares e combate às “contas-bolsão”
O BC Protege+ se soma a uma série de resoluções recentes voltadas à higienização do sistema financeiro. A partir de dezembro de 2025, instituições serão obrigadas a identificar e encerrar contas associadas a atividades suspeitas, especialmente as chamadas “contas-bolsão”, usadas para lavagem de dinheiro.
Com a nova ferramenta, será mais fácil identificar movimentações suspeitas, garantindo que contas fraudulentas não sejam criadas em nome de pessoas comuns sem consentimento.
Expansão futura do monitoramento no Pix
Para 2026, o BC planeja ampliar o rastreamento de transações fraudulentas realizadas via Pix, alcançando até cinco níveis de movimentação. A iniciativa busca mapear redes complexas de repasse de valores, frequentemente utilizadas por organizações criminosas.
Haverá também:
- verificação avançada de dados cadastrais de empresas
- contestação imediata de transações suspeitas
- compartilhamento de relatórios do Registrato para terceiros autorizados
Essa integração reforça o papel do BC na modernização das regras de segurança e na defesa do usuário final.
Por que o BC Protege+ representa um marco para o cidadão comum
Autonomia, rapidez e proteção reforçada
Até então, pessoas que desejavam evitar golpes relacionados à abertura indevida de contas tinham poucas alternativas além de registrar boletins de ocorrência ou depender de cada banco individualmente.
Com o BC Protege+, o cidadão assume um papel protagonista na proteção de sua identidade financeira, podendo ativar o bloqueio de forma rápida, gratuita e centralizada.
A iniciativa acompanha tendências internacionais de cibersegurança, que priorizam o controle individual e o uso de plataformas unificadas de verificação.
Benefícios diretos para o usuário
Entre as principais vantagens, destacam-se:
- Bloqueio automático de tentativas de abertura de contas
- Redução do risco de movimentações bancárias ilícitas
- Maior transparência na comunicação entre BC e instituições
- Notificações claras e simples
- Reversibilidade total da proteção
- Integração com sistemas já conhecidos pelo público, como o Registrato
A proposta reforça o compromisso do Banco Central com práticas modernas de segurança e responde ao aumento dos crimes digitais.
Impactos esperados no setor financeiro
Para bancos e fintechs
As instituições terão de adaptar seus sistemas para cumprir o processo de consulta obrigatória antes de abrir contas. Isso exigirá ajustes internos, mas é visto como avanço essencial para o combate às fraudes.
O BC estima que a centralização do controle reduz os riscos sistêmicos e melhora a qualidade das informações internas.
Para o mercado e para o consumidor
O consumidor tende a se beneficiar de um ambiente financeiro mais seguro e menos vulnerável a golpes envolvendo falsificação de documentos. O mercado, por sua vez, ganha em confiabilidade e reduz custos com indenizações e investigações.
Especialistas acreditam que a medida pode influenciar políticas de outros setores, incentivando a adoção de práticas similares em cadastros públicos e plataformas digitais.
Considerações finais
O BC Protege+ chega em um momento crucial para o Brasil, em que crimes digitais se tornam mais sofisticados e o roubo de identidade se transforma em uma das principais portas de entrada para fraudes financeiras. O novo serviço dá ao cidadão o poder de bloquear, diretamente na fonte, o uso indevido de seus dados, reforçando a segurança de todo o setor.
Simples, acessível e gratuito, o mecanismo coloca o Brasil em um patamar mais avançado de controle preventivo, alinhado às melhores práticas internacionais. Para milhões de pessoas, especialmente aquelas que não pretendem abrir contas com frequência, o BC Protege+ pode representar uma camada essencial de tranquilidade e proteção.
