O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) confirmou nesta quarta-feira (5) que o Crédito do Trabalhador ultrapassou a marca de R$ 82,1 bilhões em empréstimos desde o lançamento, em março de 2025. O programa, que revolucionou o acesso ao crédito consignado para empregados do setor privado, já beneficiou 7,1 milhões de trabalhadores em todo o país.
Segundo o MTE, R$ 37 bilhões referentes a 2,3 milhões de contratos antigos de consignado foram migrados para a nova plataforma, e cerca de 1 milhão de contratos ainda estão em fase de conversão — a maioria de valores menores.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, classificou o programa como um divisor de águas na vida financeira dos brasileiros, destacando o foco em democratizar o crédito e reduzir o endividamento das famílias.
Imagem: Freepik e Canva
“O Crédito do Trabalhador permite que o cidadão formal, com carteira assinada, tenha acesso a empréstimos justos, sem as taxas abusivas do sistema tradicional. É um passo histórico na reconstrução da economia popular”, afirmou Marinho.
Com taxa média de juros de 3,07% ao mês, o programa oferece condições mais vantajosas que as de crédito pessoal convencional, que chegam a superar 11% mensais nos bancos.
Como funciona o Crédito do Trabalhador
Criado para empregados com carteira assinada, o programa inclui trabalhadores domésticos, rurais, empregados de MEI e até diretores não empregados com direito ao FGTS.
A operação é feita com desconto direto em folha de pagamento, o que reduz o risco de inadimplência e permite juros mais baixos. Assim, bancos e fintechs têm segurança para emprestar, e o trabalhador paga menos.
Quem pode participar do Crédito do Trabalhador
Trabalhadores do setor privado com vínculo CLT;
Empregados domésticos e rurais;
Funcionários de MEIs com vínculo formal;
Diretores não empregados com saldo de FGTS vinculado.
O valor médio dos empréstimos é de R$ 11,4 mil, e o prazo máximo para pagamento é de até 72 meses.
Portabilidade digital e novos recursos
A portabilidade de contratos já pode ser feita diretamente pelos canais dos bancos, mas a grande novidade é que, a partir de 2 de dezembro de 2025, o serviço estará disponível também na Carteira de Trabalho Digital, conforme anunciou a Dataprev.
Essa integração permitirá que o trabalhador acompanhe em tempo real seus contratos, simule novos empréstimos e realize transferências automáticas para bancos com taxas mais competitivas.
Próximas implementações:
Sistema unificado de garantias;
Integração com o aplicativo FGTS;
Parcerias com fintechs;
Ferramentas de educação financeira dentro do app.
Garantias atreladas ao FGTS
Uma das grandes inovações do programa é o uso do FGTS como garantia. O novo modelo, em fase de ampliação, permite que o trabalhador utilize parte de seu saldo ou verbas rescisórias para reduzir o risco e as taxas do empréstimo.
As garantias podem ser compostas por:
Até 10% do saldo do FGTS;
40% da multa rescisória;
35% das verbas rescisórias.
Em caso de demissão sem justa causa, esses valores são automaticamente utilizados para amortizar ou quitar o empréstimo. Isso evita o endividamento e protege o histórico financeiro do trabalhador.
Participação dos bancos
Atualmente, 122 instituições financeiras estão habilitadas no programa — 79 já concedem crédito efetivamente. Os grandes bancos concentram boa parte das operações:
Banco
Volume de crédito (R$ bilhões)
Itaú
16,7
Banco do Brasil
12,2
Santander
11,6
Caixa Econômica Federal
7,9
Essas quatro instituições representam quase 60% do volume total de empréstimos. O MTE reforça, porém, que fintechs e bancos regionais estão ganhando espaço, ampliando a concorrência e a oferta de crédito.
Onde o programa mais cresce
O Crédito do Trabalhador já alcança todos os estados brasileiros, com destaque para o Sudeste e o Sul, regiões que concentram a maioria dos empregos formais.
Estado
Volume movimentado (R$ bilhões)
São Paulo
29,4
Rio de Janeiro
7,2
Minas Gerais
6,4
Rio Grande do Sul
5,2
Paraná
4,9
Esses números mostram o forte impacto econômico do programa, principalmente em polos industriais e centros urbanos.
Benefícios diretos ao trabalhador
O Crédito do Trabalhador é mais do que um simples consignado — é uma política pública voltada à estabilidade financeira e inclusão social.
1. Juros reduzidos
Com taxa média de 3,07% ao mês, é uma alternativa muito mais acessível que empréstimos pessoais e rotativos de cartão.
2. Maior segurança
A cobrança em folha minimiza o risco de inadimplência, evitando endividamento e restrições no CPF.
3. Transparência total
O trabalhador pode acompanhar todos os contratos online, comparar taxas e fazer portabilidade sem custo e sem burocracia.
4. Reestruturação financeira
Permite substituir dívidas caras — como cheque especial e cartão de crédito — por parcelas fixas e com juros menores.
Imagem: Marcello Casal Júnior/Agência Brasil
Crédito do Trabalhador: Expansão e futuro do programa
O governo federal planeja ampliar o alcance do Crédito do Trabalhador em 2026, com foco em digitalização total, educação financeira e novas parcerias bancárias.
Entre as próximas metas estão:
Implementar monitoramento em tempo real das taxas cobradas por instituição;
Estimular fintechs e cooperativas a aderirem ao sistema;
Lançar um programa de capacitação financeira voltado aos beneficiários;
Permitir o uso do FGTS Digital como garantia automática.
O objetivo é consolidar o programa como o principal instrumento de crédito acessível do Brasil, com impacto positivo no consumo, no emprego e na formalização da economia.
Declaração do MTE
O ministro Luiz Marinho reforçou que a política é uma das prioridades do governo:
“Estamos reduzindo os juros na ponta e dando poder de escolha ao trabalhador. O Crédito do Trabalhador é uma ferramenta de autonomia financeira e de combate ao endividamento”, afirmou o ministro.
Com mais de 12 milhões de contratos firmados e R$ 82 bilhões movimentados, o Crédito do Trabalhador se consolida como o maior programa de crédito consignado privado da história do país.
A iniciativa democratiza o acesso ao crédito, protege o trabalhador e fortalece a economia de forma sustentável. Com a futura integração ao FGTS Digital e à Carteira de Trabalho Digital, a tendência é que o programa se torne ainda mais acessível e transparente.
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