O Ministério da Saúde anunciou que iniciou os procedimentos para a possível incorporação da vacina contra o herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS). A previsão é de que a imunização esteja disponível até o ano de 2026. Atualmente, essa vacina está acessível apenas na rede privada, com custo elevado para a população.
A incorporação de qualquer novo imunizante ao SUS é um processo complexo e multietapas. Segundo o Ministério da Saúde, antes de ser oferecida à população, a vacina precisa passar por análises detalhadas envolvendo critérios técnicos, científicos e econômicos. Além da avaliação da Conitec, também é necessário um consenso entre União, estados e municípios sobre sua aplicação prática.
“A incorporação de uma nova vacina ao SUS envolve diversas etapas, como a identificação da demanda, análise técnico-científica, avaliação de viabilidade e pactuação entre as três esferas de gestão: União, estados e municípios”, informou o ministério.
A fala do ministro: acesso e conscientização
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou a relevância da vacinação contra o herpes-zóster e destacou a dificuldade que muitas pessoas têm para obter o imunizante. Em vídeo publicado na plataforma X, ele reiterou o compromisso da gestão em ampliar o acesso e promover campanhas informativas:
“É uma vacina de boa qualidade, mas é muito difícil as pessoas terem acesso. Muita gente não sabe da existência dela. Pode ter certeza: é uma prioridade nossa, enquanto ministro da Saúde, que essa vacina possa estar no SUS e que a gente possa fazer grandes campanhas de vacinação para as pessoas que têm indicação para receber essa vacina.”
O que é o herpes-zóster?
Popularmente conhecido como "cobreiro", o herpes-zóster é uma infecção viral causada pelo vírus varicela-zoster (VVZ) — o mesmo agente que provoca a catapora. Após o primeiro contato com o vírus, ainda na infância, ele pode permanecer latente no organismo e se reativar décadas depois, principalmente em adultos e pessoas com imunidade comprometida.
Segundo o Ministério da Saúde, a reativação costuma ocorrer em indivíduos com doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, além de pacientes com câncer, HIV, transplantados e outros com o sistema imunológico fragilizado.
Ainda de acordo com a pasta, há registros excepcionais de reinfecção mesmo entre pessoas que já haviam sido imunizadas anteriormente. O contágio também pode ocorrer por contato direto com pacientes infectados — tanto com varicela quanto com zóster.
Sinais iniciais e manifestações clínicas
O quadro clínico do herpes-zóster é, na maioria das vezes, típico. Antes mesmo do surgimento das lesões na pele, os pacientes relatam sintomas como:
Dor intensa nos nervos (nevrálgica);
Sensação de formigamento ou dormência;
Ardor e coceira na área afetada;
Episódios de febre;
Cefaleia (dor de cabeça);
Sensação geral de mal-estar.
Esses sintomas antecedem o aparecimento das erupções cutâneas, que são geralmente dolorosas e localizadas.
Possíveis complicações associadas
Imagem: Diana Polekhina/Unsplash
Além do desconforto imediato, o herpes-zóster pode desencadear complicações sérias, especialmente quando não tratado corretamente. Entre as mais comuns e graves estão:
Ataxia cerebelar aguda: distúrbio que afeta o equilíbrio, fala e coordenação motora;
Trombocitopenia: queda do número de plaquetas no sangue, aumentando o risco de sangramentos;
Infecções bacterianas secundárias: surgem nas lesões de pele e podem evoluir para quadros sistêmicos como pneumonia e meningite;
Síndrome de Reye: doença rara associada ao uso de AAS, especialmente em crianças, e potencialmente fatal;
Infecção fetal: quando transmitido durante a gravidez, pode causar malformações e complicações neurológicas;
Nevralgia pós-herpética: dor persistente que continua por semanas após o desaparecimento das lesões cutâneas, frequentemente de difícil controle medicamentoso.
Prevenção como estratégia de saúde pública
A vacina contra o herpes-zóster surge como uma aliada importante na prevenção dessas complicações. Com a inclusão no SUS, o objetivo do Ministério da Saúde é garantir a proteção de pessoas mais vulneráveis e evitar a sobrecarga no sistema de saúde com internações ou tratamentos prolongados.
A vacina é indicada, especialmente, para adultos com mais de 50 anos e pessoas com comprometimento do sistema imune. No entanto, seu acesso hoje está limitado à rede privada, onde pode custar mais de R$ 600 por dose, o que inviabiliza sua utilização por grande parte da população.
Expectativas e próximos passos
Com o pedido em análise pela Conitec, a expectativa do Ministério da Saúde é concluir todas as etapas burocráticas, técnicas e logísticas até 2026. Caso aprovada, a vacina será incorporada ao calendário nacional de imunização, com distribuição gratuita nos postos de saúde do SUS.
A medida representa um avanço importante no combate às doenças virais que afetam adultos e idosos no Brasil, e fortalece as estratégias de prevenção em saúde pública.