A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou recentemente o desempenho das operadoras de planos de saúde com base nos dados do quarto trimestre de 2024. No total, 540 empresas atingiram a faixa zero — considerada a melhor nota na avaliação da agência reguladora. Por outro lado, 120 operadoras ficaram na faixa 3, o nível mais crítico de desempenho.
A classificação integra o Monitoramento da Garantia de Atendimento, ferramenta que mede a capacidade de resposta das operadoras diante das principais demandas dos consumidores, como negativas de cobertura e descumprimento de prazos estabelecidos.
Novo sistema de avaliação foca na experiência do usuário
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O destaque da edição de 2024 do ranking é a reformulação na metodologia. A ANS passou a considerar metade das reclamações registradas como não resolvidas pelos consumidores no cálculo geral. Antes, esse monitoramento era feito com base em demandas analisadas exclusivamente pela Diretoria de Fiscalização.
Essa mudança torna o processo mais transparente e mais conectado à percepção real do usuário sobre o atendimento oferecido, proporcionando uma avaliação mais fiel do comportamento das empresas diante de situações críticas.
Faixa 0: excelência no atendimento
As operadoras que alcançaram a faixa 0 são aquelas que conseguiram manter um padrão elevado de atendimento, respondendo de forma eficiente às solicitações de seus beneficiários. Essas empresas demonstraram estar em conformidade com os prazos exigidos pela regulamentação e com o compromisso de garantir o acesso às coberturas previstas em contrato.
Para o consumidor, o ranking se torna um importante guia na hora de escolher o plano ideal, permitindo identificar quais empresas se destacam não apenas pelos preços ou rede de atendimento, mas também pela capacidade de resposta.
Faixa 3: alerta ligado para operadoras com desempenho insatisfatório
No outro extremo do ranking estão as 120 operadoras que caíram para a faixa 3, a pior avaliação do levantamento. No entanto, segundo a ANS, ainda não haverá punições imediatas, como a suspensão de comercialização dos planos.
Isso porque a suspensão só ocorre quando uma operadora permanece por dois trimestres consecutivos nessa faixa crítica, conforme explicou Rafael Vinhas, gerente-geral de Regulação e Estrutura dos Produtos da ANS:
“As operadoras que se mantêm na faixa 3 por dois trimestres seguidos são obrigadas pela ANS a suspender a entrada de novos beneficiários nos planos mais reclamados. A ideia é que elas, primeiro, vão ter que melhorar a qualidade da assistência prestada para, com isso, terem menor número de reclamações, para, só então, no trimestre em que não estiverem mais na faixa 3, possam voltar a vender seus planos normalmente”.
A declaração aponta que há espaço para correção por parte das operadoras com baixo desempenho, mas também alerta para a necessidade de ação rápida para evitar prejuízos aos consumidores.
Transparência e fiscalização como pilares da regulação
O Monitoramento da Garantia de Atendimento é uma das principais estratégias adotadas pela ANS para reforçar a fiscalização sobre os serviços de saúde suplementar. Além de estimular a melhoria contínua entre as empresas do setor, a ferramenta permite que o consumidor acompanhe com clareza a qualidade dos serviços prestados.
Com essa iniciativa, a agência busca garantir o equilíbrio entre a oferta de planos e os direitos dos beneficiários, promovendo um ambiente mais seguro e transparente.
Consulta ao ranking da ANS já está disponível
Para aqueles que desejam conferir a lista completa das operadoras e suas respectivas classificações, a ANS disponibilizou a consulta pública no portal gov.br/ans. A plataforma permite o filtro por operadora, região e tipo de plano, oferecendo uma visão ampla e detalhada do cenário atual da saúde suplementar no país.
A consulta é especialmente útil para quem está em busca de um novo plano ou deseja acompanhar o desempenho do serviço contratado.
Impacto direto no mercado e no consumidor
A divulgação do ranking impacta diretamente o comportamento do mercado e o processo de escolha dos consumidores. Com maior acesso às informações sobre desempenho, os usuários passam a considerar mais do que apenas a cobertura ou o valor do plano, priorizando também a qualidade da resposta oferecida pela operadora em momentos de necessidade.
Do lado das empresas, a classificação se transforma em um indicador competitivo, pressionando aquelas com notas mais baixas a investirem em melhorias, sob pena de perderem espaço e credibilidade.
O que esperar para os próximos ciclos
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Com a nova metodologia de avaliação em vigor, espera-se que o próximo ciclo do Monitoramento da Garantia de Atendimento apresente uma redução no número de operadoras mal avaliadas. A expectativa da ANS é que as mudanças incentivem ajustes internos nas operadoras e fortaleçam a confiança dos beneficiários.
A agência já sinalizou que continuará aperfeiçoando os critérios de análise para refletir de forma ainda mais precisa a realidade enfrentada pelos usuários da saúde suplementar.
Conclusão
O ranking divulgado pela ANS é mais do que uma simples lista: trata-se de uma ferramenta poderosa de transparência e controle social. A partir dela, consumidores têm mais segurança para fazer escolhas conscientes, enquanto operadoras são estimuladas a manter elevados padrões de atendimento.
Em um setor onde a agilidade e o respeito ao paciente são cruciais, estar na faixa 0 é mais do que prestígio — é sinônimo de compromisso com a saúde da população.