Ozempic gratuito está a caminho: SUS planeja distribuição nacional
O Sistema Único de Saúde (SUS) pode passar a oferecer, de forma gratuita, o medicamento Wegovy, utilizado para o tratamento da obesidade. A proposta, em avaliação pelo Ministério da Saúde desde dezembro de 2024, representa um avanço nas políticas públicas de combate à obesidade e às doenças cardiovasculares no Brasil.
O medicamento, à base de semaglutida, é o mesmo princípio ativo do Ozempic, já conhecido pelo tratamento de diabetes tipo 2. No entanto, o foco do governo não é distribuir o Ozempic, mas sim o Wegovy, indicado especificamente para pessoas com obesidade e histórico de doenças cardiovasculares.
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Neste artigo, são detalhados os prazos, critérios, possíveis beneficiários e os impactos dessa possível incorporação no SUS.
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Semaglutida: uma molécula para duas finalidades
A semaglutida é um análogo do GLP-1, hormônio que atua na regulação do apetite e da glicose. Essa substância está presente tanto no Wegovy quanto no Ozempic, medicamentos fabricados pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk.
Apesar de compartilharem o mesmo princípio ativo, os dois medicamentos possuem indicações terapêuticas diferentes:
- Ozempic é indicado para controle da glicemia em pacientes com diabetes tipo 2;
- Wegovy é aprovado para o tratamento da obesidade e sobrepeso com comorbidades.
Essa diferenciação é importante, pois a inclusão de medicamentos no SUS depende do registro específico de cada produto na Anvisa e de sua indicação clínica.
Como funciona a incorporação de medicamentos ao SUS
O papel da Conitec
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) é responsável por avaliar a inclusão de novos medicamentos, exames e tratamentos no SUS. O processo é técnico e segue critérios como:
- Eficácia e segurança comprovadas;
- Avaliação de custo-benefício;
- Impacto orçamentário para o SUS;
- Relevância clínica e epidemiológica da doença tratada.
Etapas do processo de incorporação

- Protocolo do pedido: a Novo Nordisk protocolou a solicitação em 16 de dezembro de 2024.
- Avaliação técnica: a Conitec tem até 180 dias úteis para emitir um parecer.
- Consulta pública: caso o parecer seja favorável, a população pode contribuir com manifestações e experiências.
- Decisão final: o Ministério da Saúde decide se aprova ou não a inclusão do medicamento.
- Implementação: em caso de aprovação, são definidos os protocolos clínicos e o fornecimento na rede pública.
Prazos para liberação do Wegovy no SUS
O prazo de 180 dias úteis para a análise técnica da Conitec termina em 28 de agosto de 2025. Caso a comissão opte por estender o processo, há uma possibilidade de prorrogação de até 90 dias úteis, o que empurraria a decisão para 5 de janeiro de 2026.
Se aprovado, o medicamento ainda passará pela etapa de consulta pública e, posteriormente, pela elaboração de diretrizes clínicas. Na melhor das hipóteses, o Wegovy começaria a ser distribuído na rede pública no primeiro semestre de 2026.
Quem poderá ter acesso gratuito ao Wegovy pelo SUS
A proposta inicial da Novo Nordisk sugere que o Wegovy seja ofertado a um público-alvo bastante específico:
- Pessoas com 45 anos ou mais;
- Diagnóstico de obesidade (índice de massa corporal superior a 30);
- Histórico de doença cardiovascular estabelecida;
- Sem diagnóstico de diabetes tipo 2.
Esses critérios foram propostos com base em estudos clínicos que demonstraram os benefícios da semaglutida nesse perfil de pacientes, especialmente na redução de eventos cardiovasculares.
A confirmação dos critérios exatos dependerá da elaboração de um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), caso o medicamento seja aprovado.
Disponibilidade atual do Wegovy no Brasil
Atualmente, o Wegovy está disponível apenas na rede privada e seu custo é considerado elevado, variando entre R$ 1.000 e R$ 2.000 mensais, dependendo da dose e da farmácia. Esse valor torna o tratamento inacessível para grande parte da população brasileira, especialmente em contextos de uso contínuo.
O medicamento foi aprovado pela Anvisa em janeiro de 2023 e seu uso é restrito à prescrição médica.
Obesidade no Brasil: um problema de saúde pública
A obesidade é considerada um dos principais fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão, diabetes, infarto, AVC e alguns tipos de câncer.
Dados recentes do Ministério da Saúde apontam que:
- Mais de 25% da população adulta brasileira está obesa;
- O número de pessoas com obesidade dobrou nos últimos 20 anos;
- O sobrepeso atinge mais de 60% dos adultos no país.
Além do impacto na saúde individual, a obesidade gera custos significativos ao sistema público de saúde. Estima-se que o SUS gaste mais de R$ 1 bilhão anualmente com internações, exames e tratamentos relacionados à obesidade e suas complicações.
Por que incorporar o Wegovy ao SUS?
A proposta de inclusão do Wegovy tem o objetivo de:
- Reduzir a morbidade e mortalidade por doenças cardiovasculares associadas à obesidade;
- Ampliar o acesso ao tratamento farmacológico de forma gratuita;
- Diminuir a desigualdade no acesso a medicamentos de alto custo;
- Reduzir gastos futuros com internações, cirurgias e tratamentos de doenças associadas.
Estudos clínicos demonstram que o uso contínuo da semaglutida pode levar a reduções médias de peso entre 10% e 17%, além de melhorar marcadores como colesterol, pressão arterial e inflamação sistêmica.
Desafios da incorporação
Custo para o SUS
O maior desafio está no custo elevado do medicamento. Caso a população-alvo seja ampliada no futuro, o impacto financeiro poderá ser considerável. Por isso, a análise da Conitec levará em conta não apenas os benefícios clínicos, mas também os limites do orçamento da saúde pública.
Risco de uso inadequado

Outro ponto de atenção é o uso indevido do medicamento fora das indicações clínicas, como em casos de uso estético para emagrecimento. Esse risco precisa ser mitigado com protocolos rígidos e prescrição controlada.
Expectativas e participação da sociedade
Caso a análise técnica seja favorável, será aberta uma consulta pública, prevista para ocorrer entre setembro e outubro de 2025. Nela, pacientes, profissionais de saúde, entidades da sociedade civil e pesquisadores poderão contribuir com opiniões, relatos de experiências e sugestões.
Essa fase é considerada estratégica para legitimar a decisão final e ampliar o engajamento da sociedade em torno da pauta.
Considerações Finais
A avaliação do Wegovy para inclusão no SUS pode representar um avanço importante no enfrentamento da obesidade no Brasil. A substância já demonstrou eficácia clínica em reduzir peso corporal, melhorar indicadores metabólicos e reduzir riscos cardiovasculares.
No entanto, sua incorporação exige equilíbrio entre benefícios à saúde pública e viabilidade orçamentária. A população, os profissionais de saúde e os gestores públicos têm papel decisivo na construção de uma política de acesso justa, baseada em evidências e sustentabilidade.
