A partir de 2025, quem mora sozinho e deseja receber o Bolsa Família precisará passar por uma entrevista domiciliar obrigatória. A nova exigência foi determinada pelo governo federal para reforçar a fiscalização do programa e garantir que o benefício seja destinado apenas a quem realmente se enquadra nos critérios estabelecidos.
A medida, publicada no Diário Oficial da União por meio do Decreto nº 12.417, já entrou em vigor e será aplicada a novos cadastros e atualizações no Cadastro Único (CadÚnico). Com isso, pessoas que solicitarem o Bolsa Família como unipessoais só terão o benefício liberado após uma visita de agentes sociais para verificar as informações declaradas no cadastro.
Essa mudança faz parte de um conjunto de ações para aperfeiçoar o controle do programa e evitar fraudes, principalmente após o aumento expressivo de cadastros unipessoais nos últimos anos.
O que levou à adoção da entrevista domiciliar?
Imagem: drobotdean Freepik / Ekahardiwito Envato
Nos últimos anos, houve um crescimento significativo no número de cadastros unipessoais no Bolsa Família. Em 2021, cerca de 2,2 milhões de pessoas se identificavam como moradoras sozinhas no programa. No ano seguinte, esse número saltou para 5,8 milhões, impulsionado pelo modelo do antigo Auxílio Brasil, que não diferenciava beneficiários individuais de famílias maiores.
O governo identificou que essa alta foi acompanhada por irregularidades. Muitos beneficiários declararam morar sozinhos para obter o benefício de forma indevida, mesmo fazendo parte de núcleos familiares maiores. Para combater essa prática, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) iniciou, em 2023, uma ampla revisão no Cadastro Único, resultando no cancelamento de 1,7 milhão de benefícios unipessoais que apresentavam inconsistências.
Com a obrigatoriedade da entrevista domiciliar, a intenção é tornar a triagem mais eficiente e evitar que novas fraudes comprometam o orçamento do programa.
Com a nova regra, quem mora sozinho e deseja se cadastrar no Bolsa Família precisará receber a visita de um assistente social. Essa etapa será conduzida por profissionais ligados aos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), que irão até a residência do solicitante para conferir se as informações prestadas no CadÚnico são verídicas.
Quem deverá passar pela entrevista?
Pessoas que vivem sozinhas e querem ingressar no Bolsa Família.
Beneficiários unipessoais que precisam atualizar seu cadastro no programa.
Quem não precisará passar por essa exigência?
Indígenas e quilombolas.
Pessoas em situação de rua.
Se a visita domiciliar não ocorrer, o cadastro poderá ser negado, impedindo o recebimento do benefício até que a exigência seja cumprida.
Impacto da nova regra no Bolsa Família
Atualmente, o Bolsa Família atende cerca de 20,5 milhões de famílias, com um orçamento previsto de R$ 160 bilhões para 2025. Dentro desse grupo, 3,4 milhões de beneficiários são unipessoais, representando 16,8% do total. O governo considera que o percentual adequado para essa categoria deveria ser até 16%, o que reforça a necessidade de maior controle.
Além de evitar fraudes, a nova exigência também é uma tentativa de equilibrar os gastos do programa. Em 2025, o orçamento do Bolsa Família sofreu um corte de R$ 7,7 bilhões, tornando necessário um ajuste na folha de pagamento. Somente entre dezembro de 2024 e março de 2025, mais de 306 mil famílias foram removidas do programa devido a irregularidades ou mudanças no perfil socioeconômico.
Desafios da implementação
Apesar de ser uma estratégia para fortalecer a fiscalização, a implementação da entrevista domiciliar pode enfrentar desafios logísticos. Em regiões remotas e de difícil acesso, principalmente no Norte e Nordeste do país, a realização das visitas pode ser prejudicada pela falta de agentes sociais suficientes e pela infraestrutura limitada.
Nas grandes cidades, a alta demanda pode gerar outro problema: demoras na aprovação de novos cadastros. Os CRAS já enfrentam filas longas para atualizações no CadÚnico, e o aumento da burocracia pode atrasar a liberação do benefício para quem realmente precisa.
Para reduzir esses impactos, o governo está investindo na modernização do CadÚnico, permitindo que os agentes coletem dados mesmo em áreas sem internet. Além disso, novos treinamentos estão sendo realizados desde fevereiro de 2025 para capacitar profissionais e tornar o atendimento mais ágil e eficiente.
Outras mudanças no Bolsa Família
Além da nova exigência para beneficiários unipessoais, o governo também ajustou a regra de proteção, mecanismo que permite a continuidade do benefício para famílias que tiveram aumento de renda. Com a alteração, o MDS poderá definir os critérios dessa regra de forma mais flexível, adaptando-se à realidade econômica do país.
O programa segue exigindo que os beneficiários cumpram condicionalidades importantes, como manter crianças na escola e realizar o acompanhamento de saúde para gestantes e menores de idade.
Pagamento do Bolsa Família em 2025
Imagem: cookie_studio Freepik davidgyung Envato
O calendário de pagamentos do Bolsa Família continua sendo organizado de acordo com o dígito final do Número de Identificação Social (NIS). Em março de 2025, as datas são as seguintes:
NIS final 1 – 18 de março
NIS final 2 – 19 de março
NIS final 3 – 20 de março
NIS final 4 – 21 de março
NIS final 5 – 24 de março
NIS final 6 – 25 de março
NIS final 7 – 26 de março
NIS final 8 – 27 de março
NIS final 9 – 28 de março
NIS final 0 – 31 de março
Os valores seguem a estrutura adotada em 2024, com um pagamento mínimo de R$ 600, além de valores adicionais para crianças, adolescentes e gestantes.
Fique atento a golpes envolvendo o Bolsa Família
Com a obrigatoriedade da entrevista domiciliar, aumentam os riscos de golpes aplicados contra beneficiários do programa. O MDS alerta que a comunicação oficial acontece apenas pelos canais oficiais do governo, como o app do Bolsa Família e os extratos bancários. Golpistas podem tentar enganar beneficiários enviando mensagens falsas por SMS ou WhatsApp, solicitando dados pessoais ou pagamentos para agilizar o cadastro. Caso receba qualquer contato suspeito, a recomendação é buscar informações diretamente no CRAS da sua cidade.
Considerações finais
A exigência da entrevista domiciliar para beneficiários unipessoais do Bolsa Família é uma estratégia para reforçar a fiscalização do programa e garantir que o auxílio chegue a quem realmente precisa. No entanto, a eficácia da medida dependerá da capacidade do governo em estruturar o processo de visitas sem comprometer a agilidade no atendimento.
Embora a nova regra possa gerar atrasos e dificuldades operacionais, o objetivo é evitar fraudes e tornar a distribuição dos recursos mais justa. Quem mora sozinho e precisa do benefício deve se preparar para essa etapa e acompanhar as atualizações do programa para evitar problemas no recebimento do auxílio.