O drama oculto dos idosos nas inundações do RS – Veja o que está acontecendo!
As inundações que assolaram o Rio Grande do Sul causaram um estrago histórico. Mas, em meio ao caos, um grupo enfrenta um drama silencioso: os idosos. Sozinhos, fragilizados e sem apoio específico, eles sofrem em dobro as consequências da tragédia. O resgate dos idosos exige cuidados redobrados. Mobilidade reduzida, doenças crônicas e a necessidade de medicamentos aumentam os desafios. A falta de estrutura adequada nos locais de salvamento e nos abrigos improvisados agrava a situação.
O Rio Grande do Sul é o estado com a maior proporção de idosos no país: 14,1% da população tem 65 anos ou mais. Essa realidade torna ainda mais evidente a necessidade de atenção especial a esse grupo em momentos de crise.
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Muitos idosos são resgatados sozinhos, sem a companhia de familiares. A perda de suas casas e a ruptura com a rotina geram profunda angústia e insegurança. A falta de acompanhamento psicológico e de políticas públicas específicas para atender às suas necessidades os torna ainda mais vulneráveis.
Até a manhã de segunda-feira (20/5), foram confirmadas 157 mortes, com 88 pessoas ainda desaparecidas. A Defesa Civil gaúcha estima que cerca de 76 mil pessoas estão em abrigos, e o total de afetados em 463 municípios chega a 2,3 milhões de pessoas.
Um levantamento realizado por entidades do Rio Grande do Sul, como a Universidade La Salle e a Cruz Vermelha, estima que pelo menos 202,5 mil idosos no estado sofreram algum tipo de impacto com as recentes chuvas.Informações sobre as mortes nas fortes chuvas incluem idosos entre as vítimas, embora a Defesa Civil ainda não tenha especificado as idades das vítimas.
Nadir Fernandes, de 78 anos, perdeu tudo nas inundações. Resgatada com ferimentos nas pernas, ela agora vive em um abrigo, sem notícias da família. Paulo Roberto Gonçalves, de 70 anos, também foi resgatado sozinho e lamenta a perda de seu gato e de sua casa.
A tragédia das inundações no Rio Grande do Sul expôs a invisibilidade dos idosos em situações de crise. É urgente que as autoridades e a sociedade civil se unam para garantir o acolhimento e o apoio adequados a esse grupo, especialmente em momentos de extrema vulnerabilidade.
Informações extraoficiais indicam que há idosos desabrigados e abrigados em praticamente todos os municípios afetados pelas chuvas no Rio Grande do Sul. A maioria dos abrigos atualmente em funcionamento consiste em instalações voluntárias, como os que acolheram Nadir e Paulo Roberto.
Em Porto Alegre, o secretário municipal de Inovação, Luiz Carlos Pinto, responsável por uma central de suporte aos abrigos na capital gaúcha, afirmou que, nos primeiros dias da tragédia, o foco foi abrigar todas as vítimas, sem distinção por segmentos específicos.
"Na primeira semana, trabalhamos intensamente para abrigar todos, e só depois começamos a criar abrigos especializados […] Ontem [quinta-feira] conseguimos uma instalação [na sexta-feira] para nosso primeiro abrigo exclusivo para idosos," afirmou o secretário.
Ele explicou que esse abrigo contará com serviços e voluntários especializados para atender ao público idoso.
Embora a situação dos idosos nos abrigos exija cuidados, o retorno deles às suas casas após as inundações também demanda atenção, por mais difícil que a experiência do desalojamento possa ser, muitos idosos passaram a ter companhia nos abrigos, saindo da solidão em que viviam anteriormente. O retorno para casas destruídas em um momento tão difícil pode representar um desafio adicional.
"Esse é um momento que nos preocupa muito. Muitas vezes, ao retornar, eles podem não ter a companhia de um profissional ou de um voluntário. Esse pode ser um dos momentos mais delicados," disse.
Nadir Fernandes expressou sua preocupação com o retorno.
"Eu já estava sossegada com a vida, mas agora isso aconteceu. Não deu certo. Perdi tudo. A assistente social veio aqui e a gente listou tudo o que eu perdi: fogão, cama, roupas. Só fiquei com uma saia e umas roupas que ainda me roubaram," relatou. "Por um lado, me sinto muito triste porque não sei onde estão meus parentes, meus filhos. Mas, por outro lado, me sinto contente por ter me salvado," disse Nadir. "A vida é bela para quem sabe curtir. Você pode ser duro com o próximo, mas precisa ter calma consigo mesmo e saber o que quer da vida. Tem que olhar para frente," disse.